Outro Relógio

Cá estou, junto ao rio, novamente escrevendo
Sobre que escrever? Sobre as minhas coisas, os meus sentimentos sempre passageiros, que logo se vão,
com o vento, com a maré?
O outono avança rapidamente sobre este estio ainda presente, e os dias já se notam mais curtos, e a brisa mais fresca
Isto conduz-nos a alguma melancolia, melancolia dos dias que passaram,
um abatimento do espirito,
mas também a uma porta que se abre a coisas diferentes
com trabalho, com o cultivo de coisas belas, como a leitura, como a escrita
podemos, às vezes, aceitar o presente,
aprender a gostar do que sucede,
e isso é fulcral se queremos viver bem...
Creio que é o contacto com a natureza que nos faz aceitá-la cada vez mais, bem como a nós mesmos...
Quem não tem memórias de dias como estes que vivemos em que víamos a noite descer sobre nós, e aceitávamos com distinção o sono, a calma, o convívio, a amizade?
era quem sabe outro ritmo,
outro relógio,
e eramos mais felizes...
para alem disso,
da natureza da morte,
talvez exista um outro espirito,
uma outra mente,
onde nunca deixa de haver alegria,
e paz,
e é sempre primavera,
ou verão,
como preferirem...