Vida de Criança

Abro os olhos, depois de uma curta interiorização:
Há infinitamente mais luz, e eu já vejo mais um pouco. As sapatilhas, que apelidava como "velhas", que se apresentam à minha frente, calçadas nos meus pés, me parecem agora um milagre... , com a sua cor viva vermelha, a sua sola branca luminosa que contrasta com a minha camisola, tudo mágico, até as minhas calças, que agora olho, rotas no meio das pernas, ninguém vê, são fantásticas, de um azul que contrasta com o vermelho, o azul da ganga neutro que vai bem com tudo. Que se passou para tudo isto, para esta amostra do que pode ser a vida de criança, sem deuses, inocente, contemplativa, no coração? Não houve noticiários, apesar da importante informação, não houve sobretudo Internet, houve brincadeira, como quando brincávamos com Legos, ou com carrinhos, em que tudo o que vinha a nós, como as refeições quando os pais chamavam, era acolhido com carinho. Também podem ser assim todas as adversidades. Não nos deixemos afectar por um mundo que nos foi imposto desde crianças, posto à nossa frente para que não víssemos, para que crescêssemos no mau sentido, fossemos adultos complexos e tontos, cheios de quereres, sonhos, crenças, tolices ao fim ao cabo
Vamos viver na saúde, pois se enxergássemos, se o discernimento fosse suficiente, veríamos que a saúde somos nós, e que a saúde é tudo! Se pudéssemos ver, digo-vos, agradeceríamos dia e noite
Mas, passo a passo, a consciência agiganta-se, e, cada um de nós, vai fazendo o seu caminho