Eu e os Outros

Oh isso que tantos mestres falam,
Esse abrir o coração,
Essa outra dimensão dentro de nós e do tempo
Hoje, por milésimas de segundo,
Oh porque é que nunca é mais tempo,
Pude experienciar aquilo que o estado de embriaguez às vezes providencia,
O estar vivo
É uma solidão, é uma realidade, é algo que sempre nos falta e que sempre procuramos
Oh quantas vezes choramos de verdade,
Oh quantas vezes olhamos o amigo sem véus,
Sem acharmos isto ou aquilo,
E vemos o quanto nos ama?
Estaremos fadados a sempre procurar e perder a vida,
Essa que nos foge por entre os dedos a cada momento?
Oh Deus das coisas,
Oh Deus da matéria e o outro,
Haverá plano para nós nesta vida sem Deuses?
Haverá Deus de tudo e todos?
Não há,
Mas há Vida para lá destes montes,
Para além das montanhas,
Centelha de fogo presente em cada manifestação
Mandei abaixo as cátedras desde criança,
Destrui qualquer ligação com os ritos obscuros das religiões decadentes nestes tempos que vivemos,
Tudo para te ver, oh Eu,
E o rio nunca corre da mesma maneira,
E nós nunca somos os mesmos,
E ele corre para algum lugar desconhecido de nós e dos outros,
E haverá sempre lugar para verdadeiramente comungar da vida,
E crescer-se criança,
E a palavra nunca é,
Mas esses segundos estive vivo,
Oh esses segundos senti a melodia dos ares e do coração
E a palavra exagera,
E foi vulgar,
E é o que nós somos,
E a poesia é um engano,
Mas foi bom
E tu,
Tu que lês,
Ainda te lembras da última vez que estiveste vivo?
E que olhaste o teu semelhante e disseste
" Oh tu que tanto amo porque és como eu,
Brindemos a este existência louca?"
Oh tu,
Oh eu,
Brindemos, brindemos lúcidos e sóbrios à embriaguez que é estar vivo
E talvez possamos ver passar e ser esse rio que somos
Oh, fui-me
Fui em busca de ti, oh Eu