Horizonte sem fim

Horizonte sem fim
Numa manhã solarenga de verão, João Eduardo encontra-se na praia, deitado de barriga para baixo na sua toalha. Folheia um livro que já lera em tempos, e, por isso, o interesse nessa tarefa não é muito.
Nestes dias de fim de estação, vê-se refletir sobre a sua vida, sobre as suas alegrias e desgraças, sobre o caminho do destino que o trouxe até esse lugar. Não tem sido tempos fáceis para ele.
Olha o céu que agora está limpo e azul, mas não com a leve energia do costume, apenas com pensamentos melancólicos no olhar. Já não é o mesmo João Eduardo que foi em tempos, um sonhador, um adepto das doces ilusões, e por isso vê o mundo dos fenómenos tal como ele é. De entre muitas caminhadas que deu, muitos livros que leu, muitas conversas de que fez parte, vê agora que tudo se traduziu em aprendizagem, e que a vida, magnânima, enorme, vai falando com ele às vezes através dos meios mais distintos. Sussurra-lhe de facto ao ouvido as origens do mundo, a natureza do pensamento, o futuro das gentes.
Olha então o mar vasto, que se estende num horizonte sem fim, e decide-se a ir ao seu encontro.
Para onde vais, meu caro João Eduardo, tantas vezes perdido numa prisão intransponível? Banha-te no mar, aproveita o dia como se fosse o último, e faz o melhor que puderes. Tem esperança, pensa sempre que possível positivo, pois essa é, de facto, uma forma de vivermos os dias que nos estão destinados.
Continua a caminhar bom amigo! Continua a caminhar!