Questões sobre a natureza da mente

23-03-2026

Tenho refletido algumas vezes sobre a visão de Jiddu Krishnamurti sobre o que deve fazer um educador para melhor "instruir" os seus educandos. 

Este falava-nos que é num contexto de liberdade, de ausência de medo, que a mente aprende o essencial, que é o observar-se a si-mesmo. 

Reflito também que não é somente um observar-se usual, coisa que fazemos a todo o momento, mas uma energia e atenção específica, talvez mais intensa. 

A chave talvez esteja de facto na ausência completa de medo, que como bem recordo nos catapulta para um estado de atenção bem mais intenso, onde é possivel aprender profundamente de facto e compreender. 

Uma das minhas mágoas, ou tristezas, diga-se, é não podermos viver mais vezes estes momentos em que de facto estamos vivos. Eu, e todos, sentimos a falta de um sentido profundo, e a verdadeira compreensão dá-nos isso, para além de que talvez seja uma porta para uma outra vida. 

Compreensão, parece-me, é ver as coisas como evidentes, é saber que algo é um "facto", é compreender a natureza humana e a "realidade", e difere, por isso, daquilo que acreditamos, do pensamento, daquilo que ainda não vemos como evidente. 

Um tema recorrente no educador que falamos é precisamente isso, o medo; 

mas como fazer para ultrapassar esse medo que se instala e frequentemente nos domina? 

Ainda não sei, mas vou em busca, 

Ainda não sei, mas dizem que se trata de somente "olhar". 

O conhecimento, contudo, as nossas crenças, impedem-nos de ver, de observar, uma vez que possivelmente vemos o mundo pelas suas lentes...

Que dizer? 

Será possível ir alem do medo?

Essa é a derradeira questão


Oh, Krishnamurti, haverá maneira de tocarmos novamente a criação, de estarmos novamente vivos?

Estas são algumas questões que levanto, e que espero que elucidem alguém. 

Saberemos ser corajosos o suficiente para vivermos com o medo, sem o suprirmos a todo o momento, em jogos da mente, em imagens das mais diversas de força e coragem, falsidades quase todas? Creio que seja preciso tremenda coragem para cada um se despir dos véus em que se enreda e encarar a vida e a compreensão de frente, mas talvez todo esse esforço valha a pena

Oh, iremos em busca de um Ser-Humano realizado, algo que em tempos alguém chamara de Super-Homem mas que não é mais que a realidade e a normalidade a que devemos ambicionar? 

São algumas questões que levanto, talvez em vão porque a vida não são teorias. 

Oh, poderemos, tu e eu, construir uma outra terra?

 Vale a pena sonhar com isso!

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