Questões sobre a natureza da mente

Tenho refletido algumas vezes sobre a visão de Jiddu Krishnamurti sobre o que deve fazer um educador para melhor "instruir" os seus educandos.
Este falava-nos que é num contexto de liberdade, de ausência de medo, que a mente aprende o essencial, que é o observar-se a si-mesmo.
Reflito também que não é somente um observar-se usual, coisa que fazemos a todo o momento, mas uma energia e atenção específica, talvez mais intensa.
A chave talvez esteja de facto na ausência completa de medo, que como bem recordo nos catapulta para um estado de atenção bem mais intenso, onde é possivel aprender profundamente de facto e compreender.
Uma das minhas mágoas, ou tristezas, diga-se, é não podermos viver mais vezes estes momentos em que de facto estamos vivos. Eu, e todos, sentimos a falta de um sentido profundo, e a verdadeira compreensão dá-nos isso, para além de que talvez seja uma porta para uma outra vida.
Compreensão, parece-me, é ver as coisas como evidentes, é saber que algo é um "facto", é compreender a natureza humana e a "realidade", e difere, por isso, daquilo que acreditamos, do pensamento, daquilo que ainda não vemos como evidente.
Um tema recorrente no educador que falamos é precisamente isso, o medo;
mas como fazer para ultrapassar esse medo que se instala e frequentemente nos domina?
Ainda não sei, mas vou em busca,
Ainda não sei, mas dizem que se trata de somente "olhar".
O conhecimento, contudo, as nossas crenças, impedem-nos de ver, de observar, uma vez que possivelmente vemos o mundo pelas suas lentes...
Que dizer?
Será possível ir alem do medo?
Essa é a derradeira questão
Oh, Krishnamurti, haverá maneira de tocarmos novamente a criação, de estarmos novamente vivos?
Estas são algumas questões que levanto, e que espero que elucidem alguém.
Saberemos ser corajosos o suficiente para vivermos com o medo, sem o suprirmos a todo o momento, em jogos da mente, em imagens das mais diversas de força e coragem, falsidades quase todas? Creio que seja preciso tremenda coragem para cada um se despir dos véus em que se enreda e encarar a vida e a compreensão de frente, mas talvez todo esse esforço valha a pena
Oh, iremos em busca de um Ser-Humano realizado, algo que em tempos alguém chamara de Super-Homem mas que não é mais que a realidade e a normalidade a que devemos ambicionar?
São algumas questões que levanto, talvez em vão porque a vida não são teorias.
Oh, poderemos, tu e eu, construir uma outra terra?
Vale a pena sonhar com isso!